SUPERIORAS
Como todas as fundações, a Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor começou com a pequena casa anexa ao Santuário do Senhor da Cidade, expandindo-se, ao longo das décadas, para várias partes do mundo. No início, portanto, por cerca de 40 anos, não se falava ainda em Madres Gerais, mas em Superioras.

Irmã Giuseppina Ruvolo, foi a primeira superiora da fase primitiva do Instituto, que teve início em 1885 e se concluiu em 9 de agosto de 1891, com a morte da própria Irmã Giuseppina. Foi uma alma santa e delicada, como testemunha a única fotografia que dela chegou até nós.
Giuseppina nasceu em Palermo no dia 3 de junho de 1839, primogênita de Antonino Ruvolo e Rosa Sveglia, e foi batizada na paróquia de São Hipólito. Aos 7 anos de idade, mudou-se com a família para Caltanissetta, onde o pai abriu uma loja de atacado na Via dei Fondachi, hoje Corso Vittorio Emanuele. Sendo a mais velha de 13 filhos, Giuseppina empenhou-se muito em ajudar a mãe na criação e educação dos irmãos menores, razão pela qual os pais ofereceram certa resistência quando ela expressou o desejo de consagrar-se ao Senhor. A morte da mãe, em 13 de abril de 1872, pareceu marcar a renúncia definitiva à sua vocação.
Em 1882, sua irmã Felicia também sentiu-se chamada à vida consagrada. Deixou a casa paterna para se formar entre as Filhas da Caridade em Catânia, consagrando-se em 1883 com o nome de Irmã Catarina e desenvolvendo seu apostolado em Naro, no Instituto Imaculada Conceição.
Giuseppina, por sua vez, seguiu outro caminho, que lhe permitia continuar cuidando da família, vivendo ao mesmo tempo uma forma particular de consagração. Assim, ingressou na Ordem Terceira Franciscana, dirigida por Pe. Angélico Lipani, sediada na igrejinha do Senhor da Cidade. Nos encontros com o diretor e nas conferências, os pobres tinham lugar privilegiado, pois a Pe. Angélico eram especialmente caros aqueles pobres de espírito e de bens, que o Senhor proclama bem-aventurados.
Com outras terciárias, Giuseppina dedicou-se com coragem e humildade à coleta de doações para os pobres e, mais tarde, à arrecadação de fundos junto aos habitantes de Caltanissetta para a construção de um Instituto que acolhesse as órfãs das minas. Em 1883 teve início a construção dos primeiros quartinhos do nascente Instituto, inaugurado no ano seguinte — e Giuseppina estava lá, com sua doçura materna, para acolher as primeiras doze órfãs.
As meninas eram assistidas por professoras que cuidavam da sua formação cultural, mas havia necessidade de figuras maternas que fossem guia e exemplo de vida e de fé. Assim, no dia 10 de setembro de 1884, Giuseppina deixou a casa paterna e se estabeleceu no pequeno Instituto para tornar-se mãe daquelas crianças necessitadas de amor.
Tinha 45 anos, mas conservava plenamente a juventude da alma e do corpo: entusiasmo pelos mais belos ideais, alegria de viver, frescor e energia, desejo e fascínio pela perfeição, e um coração que mantinha intacta a capacidade de amar e doar-se. A ela se uniu a jovem terciária de 27 anos, Grazia Pedano. Juntas, colaboravam para o bem daquelas meninas e para a glória de Deus, “faziam o bem ao próximo sem esperar o aplauso dos homens”; humildade e trabalho eram o exemplo que recebiam de Pe. Angélico, e essa era sua vida.
Ao realizarem sua missão, sentiram o chamado a uma consagração definitiva. Comunicaram esse desejo a Pe. Angélico, que acolheu com benevolência a oferta e, depois de prepará-las, em 15 de outubro de 1885, Giuseppina e Grazia “vestiram uma túnica áspera de cor marrom, cingiram os rins com uma corda branca da qual pendia o rosário, e cobriram a cabeça e os ombros com um véu preto, símbolo de consagração e modéstia”. Assim nascia, nos rostos radiantes de amor daquelas duas primeiras irmãs, a Congregação.
Com grande amor, Irmã Giuseppina continuou a cuidar das órfãs, e por elas não hesitava em mendigar de porta em porta, pedindo ao povo nisseno que abrisse o coração às necessidades daquelas crianças, que sofriam uma condenação sem culpa.
Em 1888, Irmã Grazia deixou a vida religiosa e retornou à sua casa. Irmã Giuseppina ficou sozinha, mas não se deixou abater pelas dificuldades. Mesmo com a forte interferência da professora Filomena Licitri — que administrava os fundos durante a construção do Instituto —, Irmã Giuseppina suportava tudo em silêncio, sem queixas, nem mesmo a Pe. Angélico. Estava convencida de que seu papel era ajudar, não pesar ou entristecer o apóstolo da cidade com misérias humanas.
As órfãs já somavam dezesseis. Irmã Giuseppina confiava-se ao Senhor; a oração era o fôlego de sua vida contemplativa. De joelhos diante do Santíssimo, recolhida, rezava com as mesmas palavras de São Francisco, a quem tanto se inspirava em sua vida humilde. Pe. Angélico, em uma anotação, referiu-se a ela como “irmã piedosíssima”.
Em 18 de abril de 1891, com a morte de seu pai, Irmã Giuseppina foi à casa da família — não para chorar o falecido, mas para levar aos irmãos e irmãs palavras de consolo e o abraço do Senhor, que não nos deixa na morte, mas nos chama à vida sem fim.
Essas palavras, que falavam das alegrias do Céu, foram quase uma profecia. No verão seguinte, Irmã Giuseppina começou a se sentir mal. No dia 1º de agosto foi visitada pelo médico, que a assistiu continuamente nos dias seguintes. Em 7 de agosto fez testamento e recebeu os sacramentos da Reconciliação e da Unção dos Enfermos. No dia seguinte pediu o Santo Viático, já pronta para o encontro com o Senhor.
As órfãs acompanharam o Santíssimo em procissão, levado por Pe. Angélico, assistindo ao último ato de amor entre Irmã Giuseppina e o Senhor e recebendo de sua “mãe” o último beijo. Na manhã de 9 de agosto sua respiração tornou-se mais difícil, o estado de saúde piorava rapidamente, e às 10h, soltando um leve suspiro, inclinou a cabeça e fechou os olhos, para reabri-los diante do Senhor da Vida.
Muitas pessoas participaram de seu funeral; todos reconheciam nela a figura luminosa de uma mulher santa, que deixou tudo para receber o cêntuplo prometido pelo Senhor, junto com a Vida eterna. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Santa Maria dos Anjos, e sobre sua lápide foi gravado:
“Ruvolo Giuseppina, filha de Antonio, 53 anos
Virgem exemplar que voou ao seu Esposo Celestial entre as lágrimas dos seus, em 9 de agosto de 1891. No dia 10 de outubro de 1969, seu corpo foi exumado e encontrado intacto. Colocado em novo esquife, foi transferido para o túmulo erguido pela Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor, onde aguarda a ressurreição.”

Irmã Veronica Guarneri, foi a primeira superiora da segunda fase da Congregação (aquela que prossegue até hoje sem interrupções), de 1893 a 1899.
Nasceu em Resuttano (CL), no dia 23 de julho de 1874, na família Guarnieri. Deixada na roda dos expostos, foi batizada e registrada como Vincenza Melissa. Ainda recém-nascida, foi enviada a Caltanissetta e adotada por um marceneiro, Salvatore Guarneri, terciário franciscano e também zelador da igreja do Senhor da Cidade, que morava nas proximidades. Vincenza cresceu em um ambiente de fé viva, frequentando a igrejinha para o catecismo. Um dia, ainda com apenas 10 anos, manifestou aos pais adotivos o desejo de ingressar no Instituto. Destacou-se desde então pela prontidão e exatidão na observância das regras. Aos 18 anos, após a morte de Irmã Giuseppina Ruvolo, apresentou-se ao Pe. Angélico com outras duas companheiras do Instituto, pedindo admissão ao Noviciado. Pe. Angélico a reconheceu como “dotada de todas as qualidades de uma boa religiosa” e a considerou digna de vestir o hábito franciscano.
Em 1893, fez sua Profissão, assumindo o nome de Veronica.
Naquele período, a Prefeitura de Caltanissetta criou a "cozinha econômica" para ajudar os pobres da cidade e confiou sua administração ao Instituto. Irmã Veronica acolheu com entusiasmo essa nova missão, recebendo os pobres, “fazendo-os sentar-se no refeitório e servindo-os com alegria, como se fossem seus próprios senhores”.
Durante uma visita ao Instituto, o bispo Mons. Zuccaro ficou admirado com a caridade e a fé com que aquelas irmãs viviam sua vocação e missão.
Conhecendo o temperamento vivaz mas bondoso, e o caráter firme porém suave de Irmã Veronica, julgou-a perfeita para assumir o governo da pequena Comunidade e, apesar de sua humilde resistência, a nomeou superiora. Sua constituição física era frágil e lhe causava diversos problemas, pois a vida naquele tempo era dura e difícil. Mas ela não se desanimou. Com grande força de espírito, continuou a viver sua vocação, sendo para todas um exemplo de abnegação e sacrifício.
Desejando tornar as liturgias na igreja do Senhor da Cidade mais solenes, aprendeu a tocar órgão, comprado da igreja de São Sebastião, e, junto com as coirmãs, ensinou canto às órfãs, para que pudessem acompanhá-la nas celebrações, na alegria da oração cantada, que, como dizia Santo Agostinho, “vale por duas”.
Em 1898, teve de entregar à eternidade a jovem coirmã Irmã Chiara, querida mestra das noviças, falecida ainda muito jovem. Mas também para ela se aproximava o tempo do encontro com o Esposo. No outono de 1899 começou a adoecer. Apenas um mês antes de sua morte, teve a imensa alegria de receber um reconhecimento formal de Mons. Zuccaro. Com o agravamento do quadro, devido a uma hérnia estrangulada, foi obrigada a se recolher ao leito, sofrendo espasmos atrozes sem jamais se queixar. Em 9 de novembro, pediu para ver as órfãs. Por volta do meio-dia, sua pequena cela encheu-se de rostos e corações. Irmã Veronica fez com que cada uma se aproximasse, despediu-se com carinho, beijando-as, dando-lhes sua última carícia. “Sirvam ao Senhor, irmãs, sirvam ao Senhor com alegria”, disse às coirmãs. Depois, agradeceu a Pe. Angélico e acrescentou: “Com a bênção do Senhor, o Instituto crescerá.” Dito isso, inclinou a cabeça e adormeceu suavemente no Senhor.

Irmã Angelica Marotta, foi superiora de 1899 a 1926. Nomeada por Mons. Zuccaro.
Nasceu em Piazza Armerina (EN), no dia 6 de setembro de 1874, filha de Alfonso Marotta e Lucia Venturella, e foi batizada com o nome de Rachele. Aos 10 anos, mudou-se para Caltanissetta e foi uma das primeiras 12 meninas acolhidas no Instituto fundado por Pe. Angélico. Cresceu sob a orientação de Irmã Giuseppina Ruvolo e, após a morte desta, com apenas 17 anos, apresentou-se com outras duas companheiras a Pe. Angélico, pedindo para iniciar o caminho vocacional rumo à vida religiosa. Como não tinha autorização paterna, teve de esperar até 9 de julho de 1898 para fazer sua profissão religiosa, nas mãos do bispo Mons. Zuccaro. Nesse meio tempo, porém, viveu como religiosa e se destacou especialmente por sua grande caridade, tanto com as órfãs e jovens acolhidas no Instituto quanto com os necessitados da cidade. Vendeu o ouro que lhe havia sido presenteado por seu pai para ajudar o Instituto e, como testemunhou a Sra. Michelina Bellomo, assim que tomava conhecimento de alguma desgraça ou necessidade, era a primeira a prestar socorro. Após a morte de Irmã Veronica, em 1899, foi nomeada Superiora e dirigiu o Instituto com grande sabedoria, sempre pensando no bem das irmãs e das meninas. Foi ela quem recebeu o testamento do Fundador moribundo e prometeu, em nome de todas as irmãs, seguir o caminho da santidade. Durante seu governo, o Instituto foi ampliado com uma vasta área recreativa e foram fundadas as duas primeiras casas filiais: Sommatino (1924) e Delia (1926). Com prudência, Irmã Angelica acolheu o convite do bispo para abrir novas casas, e esse ato de obediência foi recompensado com grandes bênçãos para toda a Congregação. Após o trágico acidente de 1925, no qual duas crianças morreram no pátio do Instituto, sua saúde começou a declinar. Sentindo-se exausta, pediu ao bispo que transferisse o governo para Irmã Immacolata Lapaglia, que a auxiliava nos últimos tempos. O bispo atendeu ao pedido, mas Irmã Angelica manteve o título de Superiora do Instituto de Caltanissetta. Atingida por um AVC, faleceu ao amanhecer de 5 de julho de 1929.
Dela foi dito:
“Era uma mãe para as irmãs, para as órfãs, para os vizinhos e para todos.
Era bela, jovem, ‘risonha’ e ‘serena’ — uma verdadeira mãe para todos.”
MADRES GERAIS
Madre Immacolata Lapaglia, primeira Madre Geral da Congregação, de 1926 a 1938 – nomeada por Mons. Jacono.

Nasceu em Caltanissetta no dia 19 de janeiro de 1891, filha de Calogero Lapaglia e Croce Beata. Foi batizada com os nomes Francesca Margherita Maria, mas na família era chamada de Checchina. Bondosa, doce e afetuosa, era amável com todos e sempre de bom humor. Dedicada e atenta aos estudos desde a infância, demonstrava grande inteligência, com especial predileção pela matemática. Concluído o ensino técnico, como não havia escolas superiores em Caltanissetta, o pai a enviou com a irmã Ida para estudar no Colégio de Maria all’Olivella, em Palermo. Ali, acompanhadas pelas irmãs, frequentavam o Instituto "Margherita". Durante esses anos, Francesca demonstrava grande respeito e interesse pela vida religiosa, embora ainda não tivesse definido claramente sua vocação. Antes dela, suas irmãs Elvira e Agata já haviam se consagrado, a primeira entre as Filhas da Caridade, a segunda entre as Filhas de Santa Ana, por isso a irmã Ida tentou dissuadi-la do propósito que lhe confiara, “para não deixar o papai e a mamãe”.
Em 1911, obteve o diploma de professora do ensino primário, com a alegria de finalmente poder ajudar a família financeiramente com seu próprio trabalho. Mas os anos seguintes foram difíceis, marcados por privações e sacrifícios. Enviada a zonas rurais e isoladas, obrigada a viver em lugares precários, Francesca não desanimou: com dedicação e amor, cumpriu sua missão de educadora, não apenas com as crianças, mas também com os adultos, levando cultura e fé a lugares esquecidos. Nesse período, confidenciou ao pai o desejo de consagrar-se ao Senhor, mas ele recusou terminantemente. Ela acolheu o não com obediência e, quando a irmã mais nova, Ida, recebeu a permissão para ingressar nas Filhas da Caridade, ofereceu ao Senhor essa nova dor, sem reclamar prioridade. Em 1921–1922, foi chamada a lecionar no ensino fundamental no Instituto do Senhor da Cidade. Ali, em contato diário com a realidade da vida religiosa, amadureceu sua vocação. Sentiu-se, enfim, em casa, pronta para dizer seu “fiat” definitivo ao Senhor. Após a morte do pai, pediu permissão à mãe e, vencidas algumas resistências, obteve sua aprovação. No dia 9 de setembro de 1922, foi admitida como postulante e, em 9 de dezembro, vestiu o hábito franciscano, assumindo o nome de Irmã Immacolata. Um ano depois, em 8 de dezembro de 1923, fez sua profissão religiosa. Desde o início chamou a atenção da Superiora, Irmã Angelica, que reconhecia em Irmã Immacolata não apenas suas habilidades administrativas, mas também sua profunda espiritualidade. Nos últimos anos de seu governo, Irmã Angelica confiou-lhe gradualmente atribuições cada vez maiores. Foi graças ao apoio firme de Irmã Immacolata que Irmã Angelica superou suas últimas resistências à abertura de uma nova casa fora de Caltanissetta. No dia 22 de dezembro de 1926, a pedido da própria Irmã Angelica, o bispo nomeou Irmã Immacolata primeira Madre Geral da Congregação, que então já havia ultrapassado os limites do Instituto para expandir-se em outros lugares.
Madre Immacolata, fiel à sua convicção de que a elevação espiritual das irmãs e das educandas deveria caminhar junto com a elevação cultural, promoveu a criação de associações de meninas apoiadas pela Ação Católica e escolas de catecismo. Determinou que as irmãs participassem mensalmente de retiros espirituais e iniciou a redação das novas Constituições, sempre fiel ao carisma do Fundador. Em 1935, celebrou os 50 anos da Fundação, e naquela ocasião esperava obter a aprovação da Santa Sé. Essa aprovação, no entanto, não foi concedida, pois as Constituições foram julgadas como pertencentes a um Instituto ainda de direito diocesano. Sob seu governo, a Congregação ultrapassou os limites da Diocese e da Sicília, com novas casas abertas também na Calábria. Madre Immacolata acompanhava de perto e com atenção cada realidade, procurando transmitir seu cuidado materno a todas as irmãs. Em 1936, adoeceu.
A enfermidade foi longa e dolorosa, mas ela jamais perdeu a serenidade. Com silêncio e sorriso, suportou todo sofrimento. Não queria pesar sobre a vida da Comunidade e pedia à irmã que a assistia para descansar sempre que estivesse cansada. Mesmo assim, suas condições pioravam rapidamente. Nos últimos 40 dias, foi atormentada por uma febre contínua, dia e noite. Fez um voto de oferecer-se como vítima pelo Instituto e pela Congregação. Seu lento Calvário se aproximava da Cruz. Todas rezavam incessantemente, as irmãs, as meninas, o povo, pedindo ao Senhor que aliviasse o sofrimento da Madre. Confinada ao leito, coberta de feridas, nunca reclamou. No dia 17 de agosto de 1938, seu estado se agravou. O médico alertou que um mínimo movimento seria fatal. A dor era geral na Comunidade. Em 19 de agosto, oferecendo ainda tudo ao Senhor, dirigiu suas últimas palavras às irmãs: “Eu as abençoo, disse, e recomendo que sejam boas, boas, boas... e obedientes.” Às 23h45, entregava sua alma a Deus, recebendo o prêmio da entrega total de sua vida ao Senhor e ao próximo. Seu funeral foi celebrado em 21 de agosto, com a participação de toda a cidade: clero, institutos, nobres e o povo simples, todos quiseram dar seu último adeus à Madre Immacolata, que deixava em todos uma lembrança inesquecível de fé e caridade.

Madre Annina Ragusa, Madre Geral de 1938 a 1964 – nomeada por Mons. Jacono e confirmada no I Capítulo Geral (15/10/1957).
Nasceu em Enna no dia 7 de junho de 1906 e, concluído o ensino fundamental, mudou-se para Caltanissetta para frequentar o Instituto Técnico, onde obteve o diploma de contadora. Durante sua permanência na cidade, teve a oportunidade de conhecer e apreciar a Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor, sentindo os primeiros sinais de vocação. O encontro com Irmã Angelica e com Madre Immacolata ajudou-a a discernir a vontade de Deus para sua vida. Após dois anos de luta com a família, que era contrária à sua decisão, em 1926 ingressou como postulante em Delia, onde vivia sua irmã Giovanna, e no dia 1º de julho de 1927 foi transferida para Caltanissetta. Em 19 de abril de 1928, vestiu o hábito religioso na capela do Instituto, assumindo o nome de Irmã Annina, e em 14 de dezembro de 1929 fez sua profissão religiosa. Desde o início, Madre Immacolata percebeu suas qualidades: equilíbrio, senso de responsabilidade, profunda espiritualidade. Por isso a escolheu como colaboradora nos trabalhos administrativos, confiando-lhe também tarefas importantes, como substituir a mestra das noviças na sua ausência, conduzir o ateliê e assumir diversas suplências. Em 1930 obteve o diploma de professora de educação infantil e foi transferida, primeiro para Sutera e depois, como superiora, para Sommatino, de onde retornava com frequência a Caltanissetta para acompanhar as noviças. Nos últimos tempos da enfermidade de Madre Immacolata, foi quem cuidou dela. No próprio dia do funeral de Madre Immacolata, 21 de agosto de 1938, foi nomeada Madre Geral.
Durante seu generalato, a Congregação se expandiu consideravelmente. Em 1954, chegou às terras brasileiras com a abertura de cinco casas. Madre Annina também teve a alegria de ver a aprovação definitiva da Congregação, com o Decreto de Louvor de São João XXIII, em 30 de agosto de 1960.
Quis dar um forte impulso espiritual à formação das irmãs, seguindo os passos do Fundador e das predecessoras. Ofereceu a todas as irmãs os meios para crescer na fé e na espiritualidade, promovendo a oração (distribuindo um livro de orações) e a meditação, com retiros mensais. Mulher de caridade, nunca fechou as portas do Instituto e, especialmente durante a guerra, recomendou a todas as casas que acolhessem os pobres e necessitados. Em 10 de outubro de 1957, celebrou o I Capítulo Geral da Congregação, no qual foi eleita Madre Geral; e em 11 de abril de 1964, presidiu o II Capítulo, no qual foi eleita Madre Vincenzina Frijia. Ambos os Capítulos foram centrados nos temas da piedade, do estudo e da disciplina. Durante seu primeiro generalato (1938–1964), foram abertas 45 casas. Após a morte prematura de Madre Vincenzina, em 15 de outubro de 1966, celebrou-se o III Capítulo Geral, no qual Madre Annina foi reeleita, sendo novamente confirmada no V e no VI Capítulo. Durante esses anos, Madre Annina teve que enfrentar os desafios trazidos pelo renovamento conciliar, o que não foi fácil. Convocou então um Capítulo Geral Extraordinário, o IV, com o objetivo de revisar as Constituições, adequando-as às disposições do Concílio, a partir das sugestões recolhidas entre as irmãs de todas as casas. Em 10 de dezembro de 1970, a Sagrada Congregação dos Religiosos aprovou oficialmente as Constituições revisadas.
Apesar de todo o esforço de Madre Annina em conduzir a Congregação nesse caminho de renovação, houve muitas desistências de irmãs, e algumas casas tiveram que ser fechadas por falta de pessoal, para dor da Madre e das comunidades locais. No entanto, outras casas foram abertas, especialmente em terras distantes como a Bolívia (1984).
Madre Annina cuidou não apenas da formação espiritual, mas também da formação cultural: diversas irmãs conseguiram diplomas e graduações, tanto em áreas da educação quanto em teologia. À aproximação do VII Capítulo Geral, que não permitia sua reeleição, escreveu uma carta de despedida cheia de humildade, colocando-se inteiramente à disposição da nova Madre, pedindo que não lhe fosse concedido nenhum privilégio pelos muitos anos de serviço à Congregação. No dia 15 de outubro de 1984, foi eleita Madre Giacinta Cammarata. Madre Annina retirou-se para a oração, vivendo santamente seus últimos anos. Faleceu em Roma no dia 17 de setembro de 1990.

Madre Vincenzina Frijia, Madre Geral de 1964 a 1966 – eleita no II Capítulo Geral (11/04/1964).
Nasceu em Curinga, província de Catanzaro, no dia 13 de junho de 1915, filha de Vincenzo e Eleonora Frijia. Quarta de cinco filhos do casal Frijia, Isabella, em religião Vincenzina, desde muito jovem mostrou sinais de uma vocação especial para o Belo e, sobretudo, para o Senhor Jesus. Ainda criança, foi enviada a Montesoro, distrito de Filadelfia, onde, na casa do tio arcipreste Vincenzo Frijia, iniciou um extraordinário caminho de formação rumo à santidade. Com ela vivia também a prima Maria Frijia. Duas almas que, juntas, sentiram com plenitude o chamado para serem “eco do Amor de Deus”: uma voltada à vida religiosa, a outra, por conselho posterior da primeira ,à vocação familiar.
Belíssima, gentil e de temperamento jovial, Vincenzina levava uma vida serena e alegre, com um amor especial pela música e pelo canto, a ponto de ser chamada pelo tio de “meu rouxinol”. Ao longo dos anos, sempre recordaria aquele tempo com gratidão, demonstrando a todos que é possível viver a alegria cristã como dom a ser oferecido àqueles que estão sozinhos e desanimados. Animada por essa alegria, Isabella socorria os pobres e necessitados, algo que faria durante toda a vida, tanto na Itália como no exterior, ao visitar as primeiras casas da Congregação no Brasil e na França, à qual posteriormente pertenceria. Aos 18 anos, quando vestiu o hábito franciscano para ingressar no Instituto das Irmãs Franciscanas do Senhor, em Caltanissetta, já trazia consigo uma intensa preparação espiritual e uma firme vontade de abraçar a vida religiosa. Já havia demonstrado isso anos antes, em Curinga, entre as irmãs da Confraria da Imaculada, em Montesoro e novamente em Curinga, onde teve a graça de encontrar a Fundadora da Congregação, Madre Immacolata Lapaglia, durante visita à primeira casa aberta na Calábria, em 1934, a pedido do então Bispo de Nicastro, Mons. Eugenio Giambro. Decidiu-se sem hesitar e, certa noite, como ela mesma contaria, teve um sonho com São Francisco de Assis, que lhe dizia com ternura: “Entre, entre para as Irmãs Franciscanas do Senhor.” Iniciou o postulantado em 24 de novembro de 1934, e em 29 de outubro de 1935 vestiu o hábito religioso. No seu lembrete de vestição, mandou imprimir estas palavras: “Que Te darei, ó Senhor, por tão grande graça que me concedes? Despida das roupas do mundo e revestida do precioso hábito da penitência, viverei só para Ti!” Após dois anos de intensa formação, em 2 de dezembro de 1937, emitiu os votos solenes diante do Bispo Mons. Giovanni Jacono. Em 4 de outubro de 1943, festa de São Francisco de Assis, fez a profissão perpétua. A partir de então, iniciou um intenso apostolado, levando fé e caridade aos pobres, enfermos e também às coirmãs, que formava como mestra das noviças, com um carisma educativo extraordinário.
Todas as irmãs que a conheceram nesse papel conservam ainda a memória viva de sua espiritualidade vibrante. Durante a guerra, ajudava os militares feridos como enfermeira voluntária da Cruz Vermelha. Quando o Chefe de Estado visitou a Sicília e o hospital militar de Caltanissetta, Madre Vincenzina estava lá, pronta e operosa entre os doentes. Jovial e discreta, entusiasta e dócil, foi sempre disponível no serviço e na missão, revelando-se uma religiosa de rara estatura moral e espiritual. Teve o respeito e o carinho de toda a Congregação, sendo por muitos anos secretária geral e, depois, vigária geral. Foi a intuição da então Superiora Geral, Madre Annina Ragusa, que apoiou fortemente sua eleição como terceira Madre Geral, durante o período do Concílio Vaticano II, um momento de profunda renovação para a Igreja. Sua eleição representava o compromisso com esse novo caminho pastoral e com uma presença mais viva da vida consagrada no mundo. A humilde Irmã Vincenzina esteve à altura da missão, superando todas as expectativas. Como Madre Geral, levou adiante o carisma do Fundador com clareza e visão, a ponto de ser lembrada até hoje com traços de heroicidade. E heróica ela foi. Apesar das condições precárias de saúde, percorreu toda a Congregação: do Brasil à França, preparando o caminho que hoje floresce nas Filipinas e na Bolívia. Tudo isso em apenas dois anos e quatro meses de generalato, um período de intensa atividade missionária e cultural. Graças à sua liderança: foram obtidas homologações para as escolas da Congregação; abriram-se novas casas na Sicília e no Brasil; foi oficializada a equivalência do Instituto de Magistério da Casa Mãe em Caltanissetta; foi fundado o Instituto Francisca Paula de Jesus, no Rio de Janeiro; e criados dois orfanatos e dois hospitais no Brasil. Em Caltanissetta, fundou o Aspirantado e iniciou, quase concluindo, uma grande Casa de Acolhimento na Contrada Juculia, hoje também utilizada como Centro de Retiros e Encontros Espirituais. Às quatro da manhã do dia 21 de junho de 1966, sofreu uma embolia. Após breve e aparente recuperação, no dia 7 de julho, Madre Vincenzina voou para o céu. Antes de morrer, havia prometido oferecer cada sofrimento e toda a sua vida ao Senhor e ao Papa.

Madre Annina Ragusa, Madre Annina Ragusa, Madre Geral de 1966 a 1984. Eleita no III Capítulo Geral (15.10.1966) e reeleita no V e VI.
Veja acima.

Madre Giacinta Cammarata, Madre Geral de 1984 a 1996 – eleita no VII Capítulo Geral (15/10/1984) e reeleita no VIII.
Nasceu em Sommatino (CL) no dia 8 de junho de 1919. Ingressou na Congregação em 1º de maio de 1937 e recebeu o hábito religioso em 2 de dezembro do mesmo ano. Fez a profissão temporária em 7 de dezembro de 1937. Permaneceu na Casa Mãe para estudar, obtendo em 1941 o diploma de professora de educação infantil. Foi então enviada por um ano a Acquaviva Platani, como professora do jardim de infância. Retornou à Casa Mãe e, em 10 de fevereiro de 1945, emitiu sua profissão perpétua. No mesmo ano, obteve também o diploma de professora do ensino fundamental. Exerceu a missão de professora em Catanzaro por três anos, e depois foi transferida para Albaneto, onde atuou como superiora, até o 22 de agosto de 1957, quando foi eleita secretária geral da Congregação. Em 15 de outubro de 1966, foi eleita vigária geral. Após o Capítulo de 1972, foi nomeada superiora da casa da Via Nomentana, em Roma, e em 21 de maio de 1979, assumiu a missão de superiora regional no Brasil. No dia 15 de outubro de 1984, foi eleita Madre Geral e confirmada no Capítulo seguinte, permanecendo no cargo por doze anos. Durante o seu generalato: celebrou-se o Centenário da Fundação da Congregação; cultivou-se com zelo o aspecto vocacional e formativo das irmãs e das escolas por elas dirigidas; e teve início o caminho preparatório para a abertura do processo de canonização do Padre Angélico Lipani. Concluído seu mandato, em 14 de janeiro de 1997, partiu rumo à Tanzânia, onde abriu a primeira casa africana da Congregação, na cidade de Arusha. De volta à Itália por motivos de saúde, passou um tempo em tratamento em Roma e depois se retirou para repousar na casa de Juculia. Atingida por um acidente vascular cerebral (AVC) em 2002, foi transferida para a casa de Mussomeli (CL), onde passou os últimos anos de sua vida e faleceu no dia 8 de janeiro de 2006.

Madre Celestina Dinarello, Madre Geral de 1996 a 2008 – eleita no IX Capítulo Geral (12/08/1996) e reeleita no X.
Durante os anos de seu generalato, teve a alegria de promover a abertura da fase diocesana do Processo de Canonização do Padre Angélico Lipani, desejo aguardado por muitos anos por toda a Congregação. E teve também a graça de ver a conclusão dessa fase, marco significativo no reconhecimento das virtudes heroicas do Fundador. Junto com diversas irmãs, entre as quais se recorda especialmente Irmã Venanzia, Irmã Immacolata e Irmã Annamaria, empenhou-se com dedicação para que esse momento fosse finalmente alcançado. Madre Celestina demonstrou grande firmeza e fidelidade ao carisma fundacional, conduzindo a Congregação com espírito de comunhão e serviço. Seu governo foi marcado por um renovado zelo espiritual, pela continuidade na missão e pelo empenho em manter viva a herança deixada pelo Fundador.

Madre Arcangelina Guzzo, Madre Geral de 2008 a 2018 – eleita no XI Capítulo Geral (07/07/2008) e reeleita no XII.
Madre Arcangelina nasceu em Miglierina, na região da Calábria, em 12 de outubro de 1937. Ao longo de sua trajetória na Congregação, desempenhou diversas funções, entre as quais a de superiora do Instituto Signore della Città, em Caltanissetta.
Durante os anos de seu generalato, celebrou-se o 125º aniversário da Fundação da Congregação, com festividades realizadas em todas as casas espalhadas pelo mundo.
Em 29 de julho de 2021, retornou à Casa do Pai.

Madre Priscilla Dutra Moreira, Madre Geral desde 2018 – eleita no XIII Capítulo Geral (10/11/2018).
Madre Priscilla iniciou seu generalato com a grande alegria de abrir oficialmente as celebrações do Centenário da Páscoa do Padre Angélico Lipani (2019–2020). Nesse mesmo período, chegou a tão esperada notícia da promulgação do decreto sobre a heroicidade das virtudes do querido Fundador, em 5 de julho de 2019.









